A Última Nau
Fernando Pessoa, em Mensagem (1934)
Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de presago
Mistério.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlantica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
Não sei a hora, mas sei que ha a hora.
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a nevoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.
Grafia atualizada a partir da primeira edição.
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta Aportou?
A Última Nau, de Fernando PessoaVerificada
Deus guarda o corpo e a fórma do futuro, Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro E breve.
A Última Nau, de Fernando PessoaVerificada
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