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Poema

Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Estoicismo

Antero de Quental · Wikisource, transcrição

Tu que não crês, nem amas, nem esperas, Espirito de eterna negação, Teu halito gelou-me o coração E destroçou-me da alma as primaveras... Atravessando regiões austeras, Cheias de noite e cava escuridão, Como num sonho mau, só oiço um não Que eternamente echôa entre as esféras... — Porque suspiras, porque te lamentas, Cobarde coração? Debalde intentas Opor á Sorte a queixa do egoísmo... Deixa aos timidos, deixa aos sonhadores A esperança van, seus vãos fulgores... Sabe tu encarar sereno o abismo!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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Sabe tu encarar sereno o abismo!

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Deixa aos timidos, deixa aos sonhadores A esperança van, seus vãos fulgores...

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