Ditos

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Poema

Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Divina Comedia

Antero de Quental · Wikisource, transcrição

Erguendo os braços para o céu distante E invectivando os deuses invisiveis, Os homens clamam: — «Deuses impassiveis, A quem serve o destino triumphante, Porque é que nos creastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inextinguiveis, Dôr, peccado, illusão, luctas horriveis, Num turbilhão cruel e delirante... Pois não era melhor na paz clemente Do nada e do que ainda não existe, Ter ficado a dormir eternamente? Porque é que para a dôr nos evocastes?» Mas os deuses, com voz ainda mais triste, Dizem: — «Homens! porque é que nos creastes?»

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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Corre o tempo e só gera, inextinguiveis, Dôr, pecado, ilusão, luctas horriveis,

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Pois não era melhor na paz clemente Do nada e do que ainda não existe, Ter ficado a dormir eternamente?

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Dizem: — «Homens! porque é que nos creastes?»

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