O que diz a morte
Antero de Quental · O que diz a morte
Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem...
Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. -
Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das coisas invisíveis, muda e fria,
É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Assim a Morte diz. Verbo velado, Silencioso intérprete sagrado Das coisas invisíveis, muda e fria,
O que diz a morte, de Antero de QuentalVerificada
Mais poemas de Antero de Quental
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.