"Primeiro estranha-se, depois entranha-se"
A frase é de Fernando Pessoa, mas nasceu como slogan publicitário da Coca-Cola, não como aforismo literário.
Atribuição disputadaAtribuição disputada
A frase «Primeiro estranha-se, depois entranha-se» circula muitas vezes como uma máxima de Fernando Pessoa. Aparece em cartazes, redes sociais e artigos como se fosse uma reflexão literária sobre hábitos, ideias ou relações. A atribuição a Pessoa, neste caso, não é o ponto problemático.
A frase existe ligada a Fernando Pessoa, mas o contexto costuma desaparecer. Não nasceu como verso, aforismo ou passagem de uma obra literária. Foi criada como slogan publicitário para a Coca-Cola, num período em que Pessoa também fez trabalho comercial e de publicidade.
Lida nesse contexto, a frase tinha uma função muito concreta: apresentar uma bebida nova ao público português. O sentido era o de que o sabor podia causar estranheza ao princípio, mas tornar-se agradável ou habitual depois. Quando é usada como pensamento solto de Pessoa, ganha um alcance filosófico que não era o seu ponto de partida.
O que fica, portanto, não é uma falsa atribuição simples. A frase é pessoana, mas é frequentemente deslocada do seu uso original. O cuidado a ter é esse: citá-la como slogan publicitário de Fernando Pessoa, não como frase retirada da sua obra literária.
Origem apontada: Fernando Pessoa.