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"Navegar é preciso, viver não é preciso"

A frase está em Pessoa, mas como citação antiga: vem do latim atribuído a Pompeu e significa «é necessário».

Atribuição disputadaAtribuição disputada

A frase «Navegar é preciso, viver não é preciso» circula muitas vezes como se fosse uma máxima criada por Fernando Pessoa. A associação não é absurda, porque a frase aparece num texto seu, geralmente conhecido como «Navegar é preciso». O problema é que, nesse texto, Pessoa não a apresenta como invenção sua.

Pessoa escreve que os «navegadores antigos» tinham essa frase gloriosa: «Navegar é preciso; viver não é preciso.» Ou seja, está a citá-la e a usá-la como ponto de partida para outra ideia. A origem mais antiga conhecida é a expressão latina «Navigare necesse est, vivere non est necesse», atribuída a Pompeu num relato de Plutarco.

Também há uma distorção frequente no sentido da frase. Aqui, «preciso» não quer dizer «exato» ou «rigoroso», mas «necessário». Pessoa torna isso explícito quando reformula a ideia: «Viver não é necessário; o que é necessário é criar.»

O que fica, portanto, é isto: a frase existe em Pessoa, mas não como autoria original dele. Ele recupera uma máxima antiga e transforma-a numa declaração sobre criação, sacrifício e destino coletivo. A atribuição simples a Fernando Pessoa apaga essa origem e muda facilmente o sentido da frase.

Origem apontada: Pompeu, segundo Plutarco.

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