"Errar é humano, perseverar é diabólico"
Não há registo em Séneca; a forma com «diabólico» é provérbio posterior, com antecedente em Cícero.
Atribuição disputadaAtribuição disputada
A frase «Errar é humano, perseverar é diabólico» circula muitas vezes atribuída a Séneca. Também aparece em latim como «Errare humanum est, perseverare autem diabolicum». A forma é curta, moral e sentenciosa, o que facilita a associação a autores clássicos. Mas não há registo da frase na obra conhecida de Séneca.
A atribuição é especialmente problemática por causa da parte «diabólico». Séneca morreu no século I e a oposição moral entre o humano e o diabólico pertence ao vocabulário cristão posterior. Isto não prova, por si só, a origem exata da frase, mas torna muito improvável que esta formulação venha dele. O que se encontra é uma máxima transmitida como provérbio latino, não uma passagem identificada de Séneca.
Há, no entanto, um antecedente clássico claro para a ideia. Cícero escreveu uma formulação próxima: «errar é próprio de qualquer pessoa; persistir no erro, só de um insensato». A frase moderna conserva a primeira parte e troca o «insensato» por «diabólico», dando-lhe uma coloração religiosa e moral mais forte. Isso faz dela uma adaptação proverbial, não uma citação senecana.
Fica em aberto a primeira autoria segura da versão exata com «diabólico». Não há registo em Séneca e não se conhece uma origem única e comprovada para esta formulação. Se for usada, deve ser apresentada como provérbio ou máxima de tradição latina. Se a intenção for citar o antecedente clássico, a referência mais prudente é Cícero, mas com a formulação dele, não com esta.