"Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo"
A ideia vem de relatos antigos sobre Arquimedes, mas a formulação com alavanca e ponto de apoio é uma paráfrase.
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A frase «Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo» circula como se fosse uma citação direta de Arquimedes. Aparece em cartazes, textos de divulgação científica e explicações escolares para resumir o princípio da alavanca. A forma mais comum em português junta dois elementos, uma alavanca e um ponto de apoio, e promete mover o mundo.
Não há registo desta frase, com estas palavras, nos tratados conservados de Arquimedes. O que existe são relatos antigos posteriores, que lhe atribuem uma afirmação parecida. Em Plutarco, na Vida de Marcelo, Arquimedes é apresentado a dizer a Hierão que, se tivesse outra Terra onde se colocasse, poderia mover esta. Papo de Alexandria transmite uma versão mais curta, próxima de «dai-me um lugar onde ficar e moverei a Terra».
A frase corrente é por isso distorcida, não totalmente falsa. A tradição antiga liga a ideia a Arquimedes, mas a redação popular é uma paráfrase posterior. Também troca muitas vezes «Terra» por «mundo», o que torna a frase mais solene, mas menos fiel ao contexto mecânico original.
O ponto da afirmação era ilustrar, em termos extremos, a vantagem mecânica da alavanca. Não era uma promessa literal de mover o mundo, nem uma frase política sobre mudar a sociedade. Fica em aberto se Arquimedes pronunciou alguma frase exatamente assim, porque o que chegou até hoje são relatos antigos, não uma citação escrita por ele.
Origem apontada: Plutarco e Papo de Alexandria.