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Tenho saudades tuas, daquelas conversas sem pressa que começavam num assunto qualquer e acabavam a arrumar metade da vida. A saudade de ti fica-me nos dias como luz numa janela fechada: não entra toda, mas lembra-me que há casa do outro lado. Fazes falta. Até o silêncio parece mais vazio sem ti. Tenho pensado em ti mais vezes do que digo. Fazes-me falta nas pequenas coisas, nas mensagens sem motivo e naquele riso que aparece antes da piada acabar. Há pessoas que não precisam de estar perto para ocuparem lugar. Tu ficas aqui, como cheiro a roupa lavada no corredor: discreta, familiar, impossível de ignorar. Tenho saudades tuas nas coisas pequenas: no copo a mais na mesa, no silêncio do sofá, na vontade parva de te contar uma coisa sem importância. A saudade chega devagar, como luz ao fim da tarde, e fica pousada em tudo o que tocavas. Até a casa parece saber que faltas tu. Fazes-me falta até nos dias que correm bem. Hoje dei por mim a sorrir sozinho, só por me lembrar da tua voz. A saudade tem destas coisas: aperta, mas também guarda o melhor de ti comigo. Tenho saudades tuas, simples assim, sem enfeites. Mãe, há dias em que a casa parece maior só porque me faltas tu. A saudade de ti é como uma luz acesa ao fundo da casa. Não faz barulho, não pede nada, mas está sempre lá, a lembrar-me que o teu amor ainda me arruma por dentro. Mãe, sinto falta da tua voz a pôr calma onde eu só via confusão. Há abraços que continuam a fazer falta todos os dias, mesmo quando tentamos seguir com a vida direita. A tua falta senta-se comigo à mesa, sem pedir licença. Avó, a tua falta mora nas coisas pequenas: na sopa a cheirar a domingo, na toalha dobrada com jeito, no silêncio da casa ao fim da tarde. Tenho saudades tuas, avó, até nos dias em que tudo corre bem. Tenho saudades tuas nas horas pequenas, quando a casa fica mais silenciosa e até uma chávena de chá parece lembrar a falta que faz a tua presença. A saudade da avó é como luz na janela depois do anoitecer: não traz a pessoa de volta, mas lembra-nos que houve casa, colo e uma forma bonita de sermos amados. A saudade é uma janela entreaberta: não traz ninguém de volta, mas deixa entrar a luz exata de quem ficou dentro de nós. Avó, há dias em que me apetecia só sentar-me ao teu lado, sem conversa grande, a ouvir-te mexer nas tuas coisas e sentir que o mundo estava no sítio. Hoje a saudade sentou-se ao meu lado e falou de ti. Saudades tuas, avó. Até o silêncio parece perguntar por ti. Há dias em que a distância pesa mais do que devia. Nesses dias, penso em si com ternura e guardo a saudade como quem segura uma coisa frágil. Sinto a tua falta no intervalo das coisas simples.