Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Vulnerant Omnes, Ultima Necat

Olavo Bilac · Tarde

Rio perpétuo e surdo, as serras esboroas, Serras e almas, ó Tempo! e, em mudas cataratas, As tuas horas vão mordendo, aluindo, à toa... Todas ferem, passando: e a derradeira mata. Mas a vida é um favor! De crepe, ou de ouro e prata, Da injúria ou do perdão, do opróbrio ou da coroa, Todas as horas, para o martírio, são gratas! Todas, para a esperança e para a fé, são boas! Primeira, que, em meu ninho, os primeiros arrulhos Me deste, e a minha Mãe deste um grito e um orgulho, Bendita! E todas vós, benditas, na ânsia triste Ou no clamor triunfal, que todas me feristes! E bendita, que sobre a minha cova aberta Pairas, última, ó tu que matas e libertas!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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