Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Rios e Pântanos

Olavo Bilac · Sarças de Fogo

Muita vez houve céu dentro de um peito! Céu coberto de estrelas resplendentes, Sobre rios alvíssimos, de leito De fina prata e margens florescentes... Um dia veio, em que a descrença o aspeito Mudou de tudo: em túrbidas enchentes, A água um manto de lodo e trevas feito Estendeu pelas veigas recendentes. E a alma que os anjos de asa solta, os sonhos E as ilusões cruzaram revoando, - Depois, na superfície horrenda e fria, Só apresenta pântanos medonhos, Onde, os longos sudários arrastando, Passa da peste a legião sombria.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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