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Poema

Primeira migração

Olavo Bilac · As Viagens

Sinto ás vezes ferir-me a retina ofuscada Um sonho: — A natureza abre as perpetuas fontes. E, ao elarão ereador que invade os horizontes, Vejo a Terra sorrir à primeira alvorada. Nos mares e nos céos, nas rechans e nos montes, A Vida canta, chora, arde, delira, brada... E arfa a Terra, num parto horrendo, carregada De monstros, de mammouths e de rhinocerontes. Rude, uma geração de gigantes acorda Para a conquista. A uivar, do refugio das furnas A migração primeira, em torvelins, transborda. E ouço, longe, rodar, nas primitivas eras, Como uma tempestade entre as sombras noturnas, O estrupido brutal d’essa invasão de feras.

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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