Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Penetralia

Olavo Bilac · Tarde

Falei tanto de amor!... de galanteio, Vaidade e brinco, passatempo e graça, Ou desejo fugaz, que brilha e passa No relâmpago breve com que veio... O verdadeiro amor, honra ou desgraça, Gozo ou suplício, no íntimo fechei-o: Nunca o entreguei ao publico recreio, Nunca o expus indiscreto ao sol da praça. Não proclamei os nomes, que, baixinho, Rezava... E ainda hoje, tímido, mergulho Em funda sombra o meu melhor carinho. Quando amo, amo e deliro sem barulho; E, quando sofro, calo-me, e definho Na ventura infeliz do meu orgulho.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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