Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Para a Rainha Dona Amélia de Portugal

Olavo Bilac · Panóplias

Um rude resplendor, de rude brilho, touca E nimba o teu escudo, em que as quinas e a esfera Guardam, ó Portugal! a tua glória austera, Feita de louco heroísmo e de aventura louca. Ver esse escudo é ver a Terra toda, pouca Para a tua ambição; é ver Afonso, à espera Dos mouros, em Ourique; e, em redor da galera Do Gama, ouvir do mar a voz bramante e rouca... Mas no vosso brasão, Borgonha! Avis! Bragança! De ouro e ferro, encerrando o orgulho da conquista, Faltava a suavidade e o encanto de uma flor; E eis sobre ele pairando o alvo lírio de França, Que lhe deu, flor humana, alma gentil de artista, Um sorriso de graça e um perfume de amor...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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