Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Os Rios

Olavo Bilac · Tarde

Magoados, ao crepúsculo dormente, Ora em rebojos galopantes, ora Em desmaios de pena e de demora, Rios, chorais amarguradamente, Desejais regressar... Mas, leito em fora, Correis... E misturais pela corrente Um desejo e uma angústia, entre a nascente De onde vindes, e a foz que vos devora. Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança. Pois no vosso clamor, que a sombra invade, No vosso pranto, que no mar se lança, Rios tristes! agita-se a ansiedade De todos os que vivem de esperança, De todos os que morrem de saudade...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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