Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Os Amores da Aranha

Olavo Bilac · Tarde

Com o veludo do ventre a palpitar hirsuto E os oito olhos de brasa ardendo em febre estranha, Vede-a: chega ao portal do intrincado reduto, E na glória nupcial do sol se aquece e banha. Moscas! podeis revoar, sem medo à sua sanha: Mole e tonta de amor, pendente o palpo astuto, E recolhido o anzol da mandíbula, a aranha Ansiosa espera e atrai o amante de um minuto... E ei-lo corre, ei-lo acode à festa e à morte! Um hino Curto e louco, um momento, abala e inflama o fausto Do aranhol de ouro e seda... E o aguilhão assassino Da esposa satisfeita abate o noivo exausto, Que cai, sentindo a um tempo, - invejável destino! A tortura do espasmo e o gozo do holocausto.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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