Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Os Amores da Abelha

Olavo Bilac · Tarde

Quando, em prônubo anseio, a abelha as asas solta E escala o espaço, - ardendo, êxul do corcho céreo, Louca, se precipita a sussurrante escolta Dos noivos zonzos, voando ao nupcial mistério. Em breve, sucumbindo, o enxame arqueja, e volta... Mas o mais forte, um só, senhor do excelso império, Segue a esquiva, e, em zunzum zeloso de revolta, Entoa o epitalâmio e o cântico funéreo: Toca-a, fecunda-a, e vence, e morre na vitória... A esposa, livre, ao sol, no alto do firmamento, Palra, e, rainha e mie, zumbe de orgulho e glória; E, rodopiando, inerte, o suicida sublime, Entre as bênçãos da luz e os hosanas do vento, Rola, mártir feliz do delicioso crime.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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