Ditos

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Poema

O Oitavo Pecado

Olavo Bilac · Tarde

Vivendo para a morte, alegre da tristeza, Temendo o fogo eterno e a danação sulfúrea, Gelaste no cilício, em ascética fúria, A alma ridente, o sangue em esto, a carne acesa. Foste mártir e herói da própria natureza. Intacto de ambição, de desejo ou de injúria, Para ganhar o céu, venceste a ira, a luxúria, A gula, a inveja, o orgulho, a preguiça e a avareza. Mas não amaste! E, além do Inferno, um outro existe, Onde é mais alto o choro e o horror dos renegados: Ali, penando, tu, que o amor nunca sentiste, Pagarás sem amor os dias dissipados! Esqueceste o pecado oitavo: e era o mais triste, Mortal, entre os mortais, de todos os pecados!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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