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Poema

O Julgamento de Frinéia

Olavo Bilac · Sarças de Fogo

Mnezarete, a divina, a pálida Frinéia, Comparece ante a austera e rígida assembléia Do Areópago supremo. A Grécia inteira admira Aquela formosura original, que inspira E dá vida ao genial cinzel de Praxíteles, De Hiperides à voz e à palheta de Apeles. Quando os vinhos, na orgia, os convivas exaltam E das roupas, enfim, livres os corpos saltam, Nenhuma hetera sabe a primorosa taça, Transbordante de Cós, erguer com maior graça, Nem mostrar, a sorrir, com mais gentil meneio, Mais formoso quadril, nem mais nevado seio. Estremecem no altar, ao contemplá-la, os deuses, Nua, entre aclamações, nos festivais de Elêusis... Basta um rápido olhar provocante e lascivo: Quem na fronte o sentiu curva a fronte, cativo... Nada iguala o poder de suas mios pequenas: Basta um gesto, - e a seus pés roja-se humilde Atenas... Vai ser julgada. Um véu, tornando inda mais bela Sua oculta nudez, mal os encantos vela, Mal a nudez oculta e sensual disfarça. cai-lhe, espáduas abaixo, a cabeleira esparsa... Queda-se a multidão. Ergue-se Eutias. Fala, E incita o tribunal severo a condená-la: "Elêusis profanou! É falsa e dissoluta, Leva ao lar a cizânia e as famílias enluta! Dos deuses zomba! É ímpia! é má!" (E o pranto ardente Corre nas faces dela, em fios, lentamente...) "Por onde os passos move a corrupção se espraia, E estende-se a discórdia! Heliastes! condenai-a!" Vacila o tribunal, ouvindo a voz que o doma... Mas, de pronto, entre a turba Hiperides assoma, Defende-lhe a inocência, exclama, exora, pede, Suplica, ordena, exige... O Areópago não cede. "Pois condenai-a agora!" E à ré, que treme, a branca Túnica despedaça, e o véu, que a encobre, arranca... Pasmam subitamente os juizes deslumbrados, - Leões pelo calmo olhar de um domador curvados: Nua e branca, de pé, patente à luz do dia Todo o corpo ideal, Frinéia aparecia Diante da multidão atônita e surpresa, No triunfo imortal da Carne e da Beleza.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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