Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

O Boi

Olavo Bilac · Poesias Infantis

Quando ainda no céu não se percebe a aurora, E ainda está molhando as árvores o orvalho, Sai pelo campo afora O boi, para o trabalho. Com que calma obedece! Caminha sem parar: E o sol, quando aparece, Já o encontra, robusto e manso, a trabalhar. Forte e meigo animal! Que bondade serena Tem na doce expressão da face resignada! Nem se revolta, quando o lavrador, sem pena, Para o instigar, lhe crava a ponta da aguilhada. Cai-lhe de rijo o sol sobre o largo cachaço; Zumbem moscas sobre ele, e picam-no sem dó; Porém, indiferente às dores e ao cansaço, Caminha o grande boi, numa nuvem de pó. Lá vai pausadamente o grande boi marchando... E, por ele puxado, Larga e profundamente o solo retalhando, Vai o possante arado. Desce a noite. O luar fulgura sobre os campos. Cessa a vida rural. Há estrelas no céu. Na terra há pirilampos. E o boi, para dormir, regressa ao seu curral...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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