Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

No Tronco de Goa

Olavo Bilac · Tarde

Camões sofre, na infâmia da clausura, Pária sem honra, náufrago sem nome; E rala, na saudade que o consome, O pobre peito contra a pedra dura. O seu gênio ilumina a abjeta lura... Mas a vida das carnes se lhe some: Míngua de pão, e, outra mais negra fome, Indigência de beijos e ventura. Do próprio fel, dos íntimos venenos, Faz a glória da pátria e a luz da raça; E chora, na ignomínia. Mas, ao menos, Possui, na mesquinhez da terra crassa E na vergonha de homens tão pequenos, O orgulho de ser grande na desgraça.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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