Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Miguel Ângelo Velho

Olavo Bilac · Tarde

"Vieram-lhe o amor e a poesia, no declínio da vida. Na mocidade, foi de costumes austeros. Aos cinqüenta e um anos, conheceu Vittoria Colonna; escreveu para ela canções, sonetos, madrigais, exaltação do cérebro, temperada de misticismo; ela admirou- o, mas não o amou. Quando Víttoria morreu, Buonarrotti beijou a mão do ''cadáver, não ousando beijar-lhe a fronte." (M. MONNIER - La Renaíssance.) E pensava: - "Perder a chama peregrina, Que extrai da pedra um Deus, do barro imundo um Santo; E este punho, que alçou a cúpula divina De São Pedro, e amassou "Moisés" de luz e espanto; E esta alma, que arquiteta os mundos na oficina: O "Dia", força e graça, e a "Noite", sombra e encanto, E o "Juízo Final" da Capela Sixtina E "Judit", flor de sangue, e "Pietà", flor de pranto; Tudo: tinta, pincel, escopro, camartelo, Ouro, fama, poder, glória, gênio, virtude, - Por um milagre só, no amor que me abandona: Morrer, e renascer ardente, moço, belo, E, como o meu "Davi", clarão de juventude, Aparecer, sorrindo, a Vittoria Colonna!"

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

Partilhar

Mais poemas de Olavo Bilac

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.