Messalina
Olavo Bilac · Panóplias
Recordo, ao ver-te, as épocas sombrias
Do passado. Minh'alma se transporta
À Roma antiga, e da cidade morta
Dos Césares reanima as cinzas frias;
Triclínios e vivendas luzidias
Percorre; para de Suburra à porta,
E o confuso clamor escuta, absorta,
Das desvairadas e febris orgias.
Aí, num trono erecto sobre a ruína
De um povo inteiro, tendo à fronte impura
O diadema imperial de Messalina,
Vejo-te bela, estátua da loucura!
Erguendo no ar a mão nervosa e fina,
Tinta de sangue, que um punhal segura.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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