Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Jocasta

Olavo Bilac · Tarde

"Trevas espessas! eterna, horrível noite! sou dilacerado pelo espinho da dor e pela memória dos meus crimes!" (SÓFOCLES - Édipo Rei.) Édipo vê cumprir-se o oráculo funesto: Tebas entregue, em luto, à peste que a devasta, E, sobre o trono em sânie e o leito desonesto, Morta, infâmia da terra e asco de céu, Jocasta. Louco, vociferando, erguendo a grita e o gesto Contra os deuses, mordendo a poeira em que se arrasta, O mísero, medindo o parricídio e o incesto, Quer da vista apagar a lembrança nefasta: Os dois olhos, às mãos, das órbitas arranca Em sangue borbotando, em lágrimas fervendo, Para o pavor matar na esmagada retina... Mas, cego embora, - vê Jocasta hedionda, branca, Enforcada, a oscilar, como um pêndulo horrendo, Compassando, fatal, a maldição divina.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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