Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Hino à Tarde

Olavo Bilac · Tarde

Glória jovem do sol no berço de ouro em chamas, Alva! natal da luz, primavera do dia, Não te amo! nem a ti, canícula bravia, Que a ti mesma te estruis no fogo que derramas! Amo-te, hora hesitante em que se preludia O adágio vesperal, - tumba que te recamas De luto e de esplendor, de crepes e auriflamas, Moribunda que ris sobre a própria agonia! Amo-te, ó tarde triste, ó tarde augusta, que, entre Os primeiros clarões das estrelas, no ventre, Sob os véus do mistério e da sombra orvalhada, Trazes a palpitar, como um fruto do outono, A noite, alma nutriz da volúpia e do sono, Perpetuação da vida e iniciação do nada.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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