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Poema

Crepúsculo na Mata

Olavo Bilac · Tarde

Na tarde tropical, arfa e pesa a atmosfera. A vida, na floresta abafada e sonora, Úmida exalação de aromas evapora, E no sangue, na seiva e no húmus acelera. Tudo, entre sombras, - o ar e o chão, a fauna e a flora, A erva e o pássaro, a pedra e o tronco, os ninhos e a hera, A água e o reptil, a folha e o inseto, a flor e a fera, - Tudo vozeia e estala em estos de pletora. O amor apresta o gozo e o sacrifício na ara: Guinchos, berros, zinir, silvar, ululos de ira, Ruflos, chilros, frufrus, balidos de ternura... Súbito, a excitação declina, a febre para: E misteriosamente, em gemido que expira, Um surdo beijo morno alquebra a mata escura...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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