Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Caos

Olavo Bilac · Tarde

No fundo do meu ser, ouço e suspeito Um pélago em suspiros e rajadas: Milhões de vivas almas sepultadas, Cidades submergidas no meu peito. As vezes, um torpor de águas paradas... Mas, de repente, um temporal desfeito: Festa, agonia, júbilo, despeito, Clamor de sinos, retintim de espadas, Procissões e motins, glórias e luto, Choro e hosana... Ferver de sangue novo, Fermentação de um mundo agreste e bruto... E há na esperança, de que me comovo, E na grita de dúvidas, que escuto, A incerteza e a alvorada do meu povo!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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