Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Avatara

Olavo Bilac · Tarde

Numa vida anterior, fui um cheik macilento E pobre... Eu galopava, o albornoz solto ao vento, Na soalheira candente; e, herói de vida obscura, Possuía tudo: o espaço, um cavalo, e a bravura. Entre o deserto hostil e o ingrato firmamento, Sem abrigo, sem paz no coração violento, Eu namorava, em minha altiva desventura, As areias na terra e as estrelas na altura. Às vezes, triste e só, cheio do meu desgosto, Eu castigava a mão contra o meu próprio rosto, E contra a minha sombra erguia a lança em riste... Mas o simum do orgulho enfunava o meu peito: E eu galopava, livre, e voava, satisfeito Da força de ser só, da glória de ser triste!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

Partilhar

Mais poemas de Olavo Bilac

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.