Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

As Nuvens

Olavo Bilac · Tarde

Nuvem, que me consolas e contristas, Tenho o teu gênio e o teu labor ingrato: Essas arquiteturas imprevistas São como as construções em que me mato... Nunca vemos, misérrimos artistas, A vitória deste ímpeto insensato: A um sopro benfazejo, que conquistas! A um hálito cruel, que desbarato! Nuvens de terra e céu, brincos do vento, Vai-se-nos breve a essência no ar varrida... Irmã, que importa? ao menos, num momento, No fastígio falaz da nossa lida, Tu, nas miragens, e eu, no pensamento, Somos a força e a afirmação da Vida!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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