Ditos

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Poema

A Sesta de Nero

Olavo Bilac · Panóplias

Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso, O palácio imperial de pórfiro luzente E mármor da Lacônia. O teto caprichoso Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente. Nero no toro ebúrneo estende-se indolente... Gemas em profusão do estrágulo custoso De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente, Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso. Formosa ancila canta. A aurilavrada lira Em suas mãos soluça. Os ares perfumando, Arde a mirra da Arábia em recendente pira. Formas quebram, dançando, escravas em coréia. E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando Nos alvos seios nus da lúbrica Pompéia.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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