Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

A Ronda Noturna

Olavo Bilac · Panóplias

Noite cerrada, tormentosa, escura, Lá fora. Dorme em trevas o convento. Queda imoto o arvoredo. Não fulgura Uma estrela no torvo firmamento. Dentro é tudo mudez. Flébil murmura, De espaço a espaço, entanto, a voz do vento: E há um rasgar de sudários pela altura, Passo de espectros pelo pavimento... Mas, de súbito, os gonzos das pesadas Portas rangem... Ecoa surdamente Leve rumor de vozes abafadas. E, ao clarão de uma lâmpada tremente, Do claustro sob as tácitas arcadas Passa a ronda noturna, lentamente...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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