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Poema

A Pítia

Olavo Bilac · Tarde

"Repetiu-me Apolo o vaticínio: que eu seria o assassino de meu pai; e rei; e marido de minha mãe, sem a conhecer; e tronco de uma prole infame!..." (SÓFOCLES - Édipo Rei.) Em Delfos. Com pavor, de pé, no ádito escuro, Édipo escuta... O deus, rugindo de ira e ameaça, Pela boca da Pítia em êxtase, devassa O tempo, e o arcano véu destrama do futuro: "Rolarás do fastígio à ignomínia e à desgraça! Rompendo de um mistério o impenetrável muro, Num sólio ensangüentado e num tálamo impuro Gerarás, parricida, a mais odiosa raça!" É a Esfinge, a glória, o reino, o assassínio de Laio, E o amor sinistro... Assim troveja a voz de Apolo E enche o sacrário... O céu carrega-se de bruma; Fuzila; estruge o chão; reboa no antro o raio... E, enquanto Édipo tomba inânime no solo, Sobre a trípode a Pítia, em baba, ulula e escuma.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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