Ditos

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Poema

A Morte de Orfeu

Olavo Bilac · Tarde

"Em vão as bacantes da Trácia procuram consolá-lo. Mas Orfeu, fiel ao amor de Eurídice, encarcerada no Averno, repeliu o amor de todas as outras mulheres. E estas, despeitadas, esquartejaram-no." Houve gemidos no Ebro e no arvoredo, Horror nas feras, pranto no rochedo; E fugiras as Mênadas, de medo, Espantadas da própria maldição. Luz da Grécia, pontífice de Apolo, Orfeu, despedaçada a lira ao colo, A carne rota ensangüentando o solo, Tombou... E abriu-se em músicas o chão... A boca ansiosa em nome disse, um grito, Rolando em beijos pelo nome dito; "Eurídice", e expirou... Assim Orfeu, No último canto, no supremo brado, Pelo ódio das mulheres trucidado, Chorando o amor de uma mulher, morreu...

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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