Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Sina

Almeida Garrett · Folhas Caídas

Por todas quantas estrelas Tem o céu que possam mais, Pelas flores virginais De que se c'roam donzelas, Pelas lágrimas singelas Que o primeiro amor derrama, Por aquela etérea chama Que a mão de Deus acendeu E que na Terra alumia Quanto há na terra do Céu! Por tudo quanto eu queria Quando eu sabia querer, E por tudo quanto eu cria Quando me era dado crer! Bem-fadada seja a vida Que por estas folhas brancas Sua história há-de escrever! Que as dores lhe venham mancas E com asas o prazer! Esta sina que lhe dou, Bruxa não na adivinhou, Nem duende ma ensinou: Li-a eu por meu condão Em seus olhos inocentes, Transparentes - transparentes Até dentro ao coração.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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