Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Rosa sem espinhos

Almeida Garrett · Folhas Caídas

Para todos tens carinhos, A ninguém mostras rigor! Que rosa és tu sem espinhos? Ai, que não te entendo, flor! Se a borboleta vaidosa A desdém te vai beijar, O mais que lhe fazes, rosa, É sorrir e é corar. E quando a sonsa da abelha, Tão modesta em seu zumbir, Te diz: «Ó rosa vermelha, » Bem me podes acudir: » Deixa do cálix divino » Uma gota só libar... » Deixa, é néctar peregrino, » Mel que eu não sei fabricar ...» Tu de lástima rendida, De maldita compaixão, Tu à súplica atrevida Sabes tu dizer que não? Tanta lástima e carinhos, Tanto dó, nenhum rigor! És rosa e não tens espinhos! Ai !, que não te entendo, flor.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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