Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Os exilados

Almeida Garrett · Folhas Caídas

Eles tristes, das praias do desterro, Os olhos longos e arrasados de água Estendem para aqui... Cravado o ferro Da saudade têm n'alma; e é negra mágoa A que lhes rala os corações aflitos, É a maior da vida - são proscritos, Dor como outra não há, é a dor que os mata! Dizer eu: «Essa terra é minha... minha, Que nasci nela, que a servi, a ingrata! Que lhe dei... dei por ela quanto tinha, Sangue, vida, saúde, os bens da sorte... E ela, por galardão, me entrega à morte!» Morte lenta e cruel - a de Ugolino! Bem lhes quiseram dar... Mas não será assim: sopro divino De bondade e nobreza Não o pode apagar Nos corações da gente portuguesa Esse rancor de fera Que em almas negras, negro e vil impera. Tu, génio da Harmonia, Tu solta a voz em que triunfa a glória, Com que suspira amor! Bela de entusiasmo e de fervor, Ergue-te, ó Rossi, tua voz nos guia: A tua voz divina Hoje um eco imortal deixa na história. Inda no mar de Egina Soa o hino de Alceu; E atravessaram séculos Os cantos de Tirteu. Mais poderosa e válida A tua voz será; A tua voz etérea, Tua voz não morrerá. Nós no templo da pátria penduramos Esta c'roa singela Que de mirto e de rosas entrançamos Para essa fronte bela: Aqui, de voto, ficará pendente, E um culto de saudade Aqui, perenemente, Lhe daremos no altar da Liberdade.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

Partilhar

Mais poemas de Almeida Garrett

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.