Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Ave, Maria

Almeida Garrett · Folhas Caídas

Maria, doce Mãe dos desvalidos, A ti clamo, a ti brado! A ti sobem, Senhora, os meus gemidos, A ti o hino sagrado Do coração de um pai voa, ó Maria, Pela filha inocente. Com sua débil voz que balbucia, Piedosa mãe clemente, Ela já sabe, erguendo as mãos tenrinhas, Pedir ao Pai dos Céus O pão de cada dia. As preces minhas Como irão ao meu Deus, Ao meu Deus que é teu filho e tens nos braços, Se tu, mãe de piedade, Me não tomas por teu? Oh!, rompe os laços Da velha humanidade; Despe de mim todo outro pensamento E vã tenção da Terra; Outra glória, outro amor, outro contento De minha alma desterra. Mãe, oh!, Mãe, salva o filho que te implora Pela filha querida. De mais tenho vivido, e só agora Sei o preço da vida, Desta vida, tão mal gasta e prezada Porque minha só era... Salva-a, que a um santo amor está votada, Nele se regenera.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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