Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

A Jovem americana

Almeida Garrett · Folhas Caídas

Donde é que te eu vi, donzela, E o que eras tu nesta vida Quando não tinhas vestida A forma de virgem bela Que ora te vejo trajar? Estrela foste no céu, Serias no prado flor? Ou, no diáfano splendor De que Íris faz o seu véu, Estavas, Silfa, a bordar? Não houve poeta ainda Que te não visse e cantasse, Mulher que não te invejasse, Nem pintor que a face linda Te não fosse copiar. Séculos tens. - E ah!... já sei Quem és, quem foste e hás-de Bem te eu estava a conhecer Quando primeiro te olhei Sem te poder estranhar. Com Deus e coa Liberdade De nossas terras fugiste Quando perdidos nos viste, E te foste à soledade. Do Novo Mundo acoitar. Pois que ora piedosa vens E nos sentes ressurgir, Oh!, não tornes a fugir, Que melhor pátria não tens Nem que mais te saiba amar. Teu natal celebraremos Hoje e sempre: teus amigos Somos na lealdade antigos, E no ardor novos seremos, No desvelo em te adorar: Porque tu és o Ideal Da só beleza - do Bem; Não és estranha a ninguém, E de ti só foge o mal Que te não pode encarar.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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