limpar as mãos à parede
Etimologia popular
Quer dizer ficar sem receber ou sem obter aquilo que se esperava, como quem percebe que já não vale a pena contar com isso.
Não se conhece uma origem documentada para a locução, no sentido de haver um primeiro texto, uma anedota histórica ou um costume identificado que a explique. O que se pode afirmar com segurança é que a imagem é transparente: quem tem de limpar as mãos à parede não tem toalha, pano ou meio decente de as limpar. Daí nasce bem o valor figurado de ficar sem solução útil, sem pagamento ou sem a ajuda que se esperava. A expressão funciona muitas vezes como resposta seca a uma expectativa frustrada: se alguém está à espera de alguma coisa, resta-lhe «limpar as mãos à parede».
As explicações que a fazem derivar de um hábito antigo concreto, como paredes de oficinas, tascas ou casas pobres usadas para limpar as mãos, são plausíveis como cenário, mas não chegam a ser prova de origem. Falta-lhes normalmente documentação: ocorrência datada, descrição do uso literal e passagem demonstrável para o sentido figurado. Também não é a mesma coisa que «lavar as mãos», fórmula associada à ideia de se desresponsabilizar, apesar de ambas envolverem mãos. Neste caso, o núcleo semântico é antes a frustração de quem fica sem nada prático a que se agarrar.
Exemplo: Se estás à espera que ele te devolva o dinheiro, podes limpar as mãos à parede.
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