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Origem das expressões

fazer tempestade num copo de água

Etimologia popular

Exagerar muito a importância de um problema pequeno.

A imagem é transparente: uma tempestade, fenómeno grande e violento, aparece reduzida ao espaço ridículo de um copo de água. Por isso, o sentido figurado nasce facilmente da própria comparação, sem exigir um acontecimento histórico concreto que lhe tenha dado origem. A mesma ideia existe noutras línguas europeias, como o francês, com «tempête dans un verre d’eau», e o inglês, com «storm in a teacup» ou «tempest in a teapot».

Há antecedentes antigos para esta maneira de dizer, com a ideia de levantar ondas ou agitação num recipiente pequeno. Costuma citar-se uma fórmula latina atribuída a Cícero, em que se fala de fazer ondas numa concha ou concha de servir, mas isso mostra sobretudo a antiguidade da metáfora, não a origem direta da forma portuguesa atual. Também circula a atribuição da frase francesa a Montesquieu, a propósito de conflitos políticos de pequena escala, mas essa explicação é repetida muitas vezes sem bastar para provar que dali saiu a expressão portuguesa.

O mais seguro é dizer que «fazer tempestade num copo de água» pertence a uma família europeia de imagens proverbiais sobre exagerar ninharias. A forma portuguesa parece ter-se fixado por tradução ou adaptação dessa tradição, em especial próxima do francês, mas não se conhece um primeiro autor, uma primeira data ou um episódio documentado que explique a sua criação. Portanto, a origem exata não está apurada, embora o mecanismo metafórico seja claro.

Exemplo: Não faças uma tempestade num copo de água, foi só um atraso de dez minutos.

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