comer e calar
Etimologia popular
Aceitar uma situação, uma ordem ou um benefício sem protestar nem fazer perguntas.
A locução assenta numa imagem muito direta: quem está a comer, sobretudo quando recebe a comida de outrem, cala-se e não reclama. Daí passou facilmente para o sentido figurado de aceitar o que lhe dão, ou o que lhe impõem, sem levantar problemas. Não se conhece uma origem histórica documentada, ligada a um episódio concreto, a uma pessoa ou a uma instituição específica.
Há explicações que a aproximam de ambientes como casas senhoriais, conventos, quartéis ou mesas onde criados, crianças ou subordinados deviam comer em silêncio. Esses contextos são verosímeis como cenários de uso, mas não provam que a expressão tenha nascido aí. O mais seguro é tratá-la como uma fórmula proverbial, criada a partir do contraste simples entre receber alimento e guardar silêncio. A força da expressão vem precisamente dessa moral prática: quem aceita a vantagem, ou a dependência, fica sem grande margem para protestar.
Exemplo: Ele não concordava com a decisão, mas como precisava do emprego teve de comer e calar.
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