bicho de sete cabeças
Etimologia popular
Quer dizer que algo parece muito difícil, assustador ou complicado, muitas vezes mais do que realmente é.
A imagem vem do motivo antigo dos monstros com várias cabeças, muito presente na mitologia, na literatura religiosa e no imaginário popular europeu. A associação mais lembrada é a Hidra de Lerna, monstro combatido por Hércules, cujas cabeças voltavam a nascer quando eram cortadas. Também há, no Apocalipse, figuras monstruosas com sete cabeças, o que ajuda a explicar a força simbólica do número sete.
Não se conhece, porém, uma origem única e documentada que prove que a locução portuguesa nasceu diretamente de uma dessas fontes. O mais seguro é dizer que a expressão se formou a partir dessa imagem tradicional: um ser com muitas cabeças é algo difícil de enfrentar, perigoso e quase impossível de dominar. O número sete funciona aqui mais como número simbólico de excesso ou totalidade do que como contagem literal.
Por isso, explicações que atribuem a expressão a um episódio histórico concreto, a um livro específico ou a uma anedota determinada devem ser vistas com cautela se não vierem acompanhadas de documentação. A origem apurada da fórmula exata, em português, não está estabelecida. O sentido figurado é, no entanto, transparente: transformar um problema num monstro de várias cabeças é vê-lo como mais temível do que uma dificuldade normal.
Exemplo: Não faças disso um bicho de sete cabeças, é só preencher o formulário com calma.
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