Alexandre Herculano
1810 a 1877 · obra em domínio público desde 1948

Alexandre Herculano (1810-1877) foi historiador, romancista e poeta, e uma das cabeças do romantismo português. Escreveu a História de Portugal que pôs o rigor documental acima da lenda, romances como Eurico, o Presbítero, e as Lendas e Narrativas que fixaram por escrito muita tradição oral. Exilou-se novo por causa das lutas liberais, combateu no cerco do Porto e acabou a vida retirado em Vale de Lobos, a lavrar e a recusar honrarias. A poesia dele, grave e bíblica, é menos lida hoje do que a prosa, e é por ela que aqui entra. Em Vale de Lobos fez-se lavrador a sério, e o azeite que produzia ganhou fama própria, o que lhe agradava mais do que os elogios literários. A poesia reunida em A Harpa do Crente, escrita nos anos do exílio e da guerra civil, é a de um crente em luta com o século. Aqui está com esses poemas graves, A Arrábida à cabeça, e com a Leonor que traduziu de Bürger, a balada alemã do cavaleiro fantasma.
Poemas
- A arrábida
- A costureira, e o pintasilgo morto
- Deus
- Leonor (Gottfried August Bürger)
- O Caçador Feroz
- O Canto do Cossaco
- O Cão do Louvre
- O Seccar das Folhas
Frases
Cada uma diz de que obra saiu e em que capítulo.
Nas horas de silêncio, à meia-noite, Eu louvarei o Eterno!
Deus (Alexandre Herculano), de Alexandre HerculanoVerificada
Homem, ente imortal, que és tu perante A face do Senhor? És a junça do brejo, harpa quebrada Nas mãos do trovador!
Deus (Alexandre Herculano), de Alexandre HerculanoVerificada
Eu, por mim, passarei entre os abrolhos Dos males da existência Tranquilo, e sem temor, à sombra posto Da Tua Providência
Deus (Alexandre Herculano), de Alexandre HerculanoVerificada
Meus aureos sonhos realisa agora;
Como abraço materno era suave A aragem fresca do cair das trevas.
Como tu vens cercado de esperança, Para o inocente, ó plácido sepulcro!
Oh, não insultes lágrimas alheias, E deixa a fé ao que não tem mais nada!...
A selva perdeu seus mimos; Os rouxinóis mudos são.
Adeus floresta querida!
Como te cai folha e folha A morte me segue assim.
Chegou a estação gelida; Foi para te matar.
A costureira, e o pintasilgo morto, de Alexandre HerculanoVerificada
Nunca me hás de esquecer! Por bem seis anos, Companheira leal Tu me foste, avesinha;
A costureira, e o pintasilgo morto, de Alexandre HerculanoVerificada
Tu que passas, descobre-te! Ali dorme O forte que morreu.
Dá ao mártir do Louvre algumas flores; Dá pão ao seu lebreu.
Obras usadas
- Poesias (1850)
Poesias por A. Herculano (Lisboa, Em Casa da Viuva Bertrand e Filhos, 1850). Transcrição da Wikisource sobre o fac-símile, com a grafia da edição; páginas impressas lidas dos cabeçalhos das provas. - Poesias (2.ª edição) (1860)
Poesias por A. Herculano, 2.ª edição (Lisboa, Em Casa da Viuva Bertrand e Filhos, 1860). Ligada apenas para «A costureira, e o pintasilgo morto», ausente da primeira edição de 1850. - A arrábida
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/a-arrabida/ - O Seccar das Folhas
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/o-seccar-das-folhas/ - Deus
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/deus-alexandre-herculano/ - O Cão do Louvre
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/o-cao-do-louvre/ - A costureira, e o pintasilgo morto
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/a-costureira-e-o-pintasilgo-morto/ - O Canto do Cossaco
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/alexandre-herculano/o-canto-do-cossaco/
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