O Seccar das Folhas
Alexandre Herculano · Poesias (1850), pp. 273-275
Das ruinas destes bosques
O outono alastrou o chão:
A selva perdeu seus mimos;
Os rouxinóis mudos são.
No bosque, amigo da infancia,
Triste um joven vagueiava;
Na sua aurora a doença
Para o sepulchro o inclinava.
«Adeus floresta querida!
Vestes luto por meu fim?
Como te cai folha e folha
A morte me segue assim.
Intima voz, que revela
Seu fado extremo aos mortais,
Me diz:―vês cahir as folhas?
São essas só: não há mais!
Sobre esta pálida fronte
O torvo cypreste ondeia,
Como o que, farol de mortos,
Sobre campas se meneia.
Antes da vide na encosta,
Antes da relva no prado,
Os dias da juventude
Terão para mim murchado!
Minha linda primavera
Qual a van sombra passou!
Eu morro: o euro gelado
Da vida a seiva mirrou.
Cáe, oh passageira folha;
Vem esta senda cobrir;
Esconde ao pranto materno
Logar onde vou dormir.
Mas se vier minha amante,
Involta em véu lutuoso,
Ao pôr do sol, na lameda,
Dar-me um suspiro saudoso,
Com o teu leve rugido
Desperta, oh, desperta o morto;
Que assim sua sombra tenha
Ainda alívio e conforto!»
Disse: afastou-se, e não volve:
Última folha cahiu:
Era o signal: seu sepulchro
Sob o carvalho se abriu.
Mas sua amante não veio:
E só do vale o pastor
Quebrou com som de passadas
Repouso do trovador.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Adeus floresta querida!
O Seccar das Folhas, de Alexandre HerculanoVerificada
Como te cai folha e folha A morte me segue assim.
O Seccar das Folhas, de Alexandre HerculanoVerificada
A selva perdeu seus mimos; Os rouxinóis mudos são.
O Seccar das Folhas, de Alexandre HerculanoVerificada
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