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Poema

Dizendo que a costura não dá nada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (1900), p. 136

Poesia satírica de linguagem explícita, publicada como obra de época. Esta página não mostra publicidade e os versos dela não entram nas sugestões gerais do site.

Dizendo que a costura não dá nada, Que não sabe servir quem foi senhora, A impulsos da paixão fornicadora Sobe d'alcoviteira a moça a escada: Seus desejos lhe pinta a malfadada, E a tabaquenta velha sedutora Diz-lhe: «Veio, menina, em bela hora, Que essas, que aí tenho, já não ganham pada:» Matricula-se aqui a tal pateta, Em punhetas e fodas se industria, Enquanto a mestra lhe não rifa a greta: Chega, por fim, o fornicário dia; E em pouco a menina de muleta Passeia do hospital na enfermaria.

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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