«O sono da razão produz monstros»
É de Goya, mas não foi dito: foi gravado. A frase é o título de uma estampa de 1799, escrita na própria imagem.
Atribuição disputadaVerificada
A frase circula como «O sono da razão produz monstros» e aparece atribuída a Francisco de Goya, às vezes como se fosse máxima de filósofo, solta num livro de citações entre Voltaire e Nietzsche.
É de Goya, mas não é bem uma frase: é uma imagem com legenda. Em 1799, o pintor publicou os Caprichos, uma série de oitenta gravuras a rir e a morder os costumes de Espanha. Na estampa número 43, um homem, o próprio Goya, dorme debruçado sobre a mesa de trabalho enquanto morcegos e corujas lhe saem do escuro por cima da cabeça. Na frente da mesa, gravado na própria chapa, lê-se: «El sueño de la razón produce monstruos.»
O espanhol ainda guarda uma dobra que a tradução desfaz: «sueño» tanto é o sono como o sonho. A razão que adormece deixa sair os monstros, ou a razão que sonha é que os fabrica. Goya, que anotou nos rascunhos que a fantasia abandonada pela razão produz monstros impossíveis, e unida a ela é mãe das artes, parece ter querido as duas leituras ao mesmo tempo.
Atribuição certa, portanto, com um esclarecimento: quem cita está a citar o título de uma gravura, escrito pela mão do artista na chapa. É das poucas citações que se podem conferir olhando para ela.
Origem confirmada: título do Capricho n.º 43 de Goya, 1799.