«Uma imagem vale mais do que mil palavras»
O provérbio chinês mais citado do Ocidente foi inventado por um publicitário americano nos anos 1920, e ele quase o confessou.
Atribuição disputadaAtribuição disputada
A frase circula como «Uma imagem vale mais do que mil palavras» e vem quase sempre com pedigree: seria um provérbio chinês, às vezes promovido a Confúcio, com aquele brilho de sabedoria milenar que fecha qualquer discussão.
O rasto documentado leva a um sítio bem menos zen: as páginas de publicidade americanas dos anos 1920. Fred R. Barnard, homem do ramo, usou a fórmula em anúncios na revista Printers' Ink para vender uma ideia muito concreta: que os anunciantes deviam pagar por imagens. Primeiro atribuiu o dito a um japonês; anos depois repetiu-o como provérbio chinês, e a tradição publicitária guarda-lhe a confissão desarmante de que o rótulo servia para as pessoas o levarem a sério.
Resultou acima de qualquer expectativa. O provérbio fabricado entrou nos livros de citações, saltou para as salas de aula e para os discursos, e hoje é provavelmente o provérbio chinês mais citado do mundo ocidental, sem ter de chinês uma sílaba. A China tem, de facto, ditos antigos sobre ver valer mais do que ouvir; nenhum é este.
Há uma justiça poética no caso: uma frase sobre o poder da imagem que venceu à custa de uma embalagem falsa. Mil palavras, ao que se vê, ainda fazem coisas que uma imagem não faz, por exemplo, inventar a China que faz falta ao argumento.
Origem apontada: Fred R. Barnard, publicidade americana dos anos 1920.