«O homem é o lobo do homem»
A frase circula como resumo da filosofia de Hobbes, mas tem mais de mil e quinhentos anos: vem de uma comédia de Plauto.
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A frase circula em português como «O homem é o lobo do homem» e é quase sempre apresentada como criação de Thomas Hobbes, resumo perfeito da sua visão do estado de natureza, em que cada um é ameaça para cada um. Em latim aparece como «homo homini lupus».
Hobbes usou-a de facto, mas não a inventou nem disse que a inventava. A formulação original é de Plauto, comediógrafo romano, na peça Asinaria, escrita cerca de dois mil anos antes: «lupus est homo homini», diz uma personagem, a explicar porque não confia em quem não conhece. A frase correu os séculos como provérbio latino, e Erasmo recolheu-a nos seus adágios muito antes de Hobbes nascer.
O que Hobbes fez foi dar-lhe a fama moderna. Na dedicatória do De Cive, em 1642, escreveu que ambas as coisas são verdade: o homem é um deus para o homem, quando se compara cidadão com cidadão, e o homem é um lobo para o homem, quando se comparam cidades entre si. A frase vinha com par e com contexto, e o par perdeu-se pelo caminho, como costuma acontecer.
Atribuir a frase a Hobbes não é disparate completo, porque foi ele que a pôs no centro da filosofia política. Mas quem a quiser citar com rigor cita um cómico romano, não um filósofo inglês.
Origem apontada: Plauto, retomada por Hobbes.