Ditos

As palavras para cada ocasião.

«Depois de mim, o dilúvio»

A frase da indiferença real também tem outra dona: Madame de Pompadour, a consolar o rei depois de uma derrota. Os relatos divergem.

Atribuição disputadaAtribuição disputada

A frase circula como «Depois de mim, o dilúvio», em francês «Après moi, le déluge», e é atribuída a Luís XV de França como cume da indiferença de um rei pelo país que deixava: que se afunde tudo, desde que seja depois de eu cá não estar.

Os relatos da época contam a história com outra dona e outro tom. Em 1757, depois de a França ser derrotada em Rossbach por Frederico da Prússia, Madame de Pompadour, favorita do rei, ter-lhe-ia dito «Après nous, le déluge», depois de nós, o dilúvio, para o arrancar ao desânimo: não vale a pena afligirmo-nos com o que vem depois. Não era um dar de ombros ao futuro, era um consolo de ocasião. As memórias da corte que registam o episódio dão a frase a ela, com o «nós» em vez do «eu».

Com os anos, a frase mudou de pessoa gramatical e de intenção. O «nós» virou «eu», o consolo virou cinismo, e a favorita desapareceu da história, porque uma frase de rei condena melhor a monarquia do que uma frase de amante. Foi nessa forma que a Revolução e os livros de História a fixaram.

Há ainda quem note que a ideia já corria como dito proverbial antes de ambos. Seja como for, o registo mais sólido aponta para a Pompadour; o rei ficou com a fama.

Origem apontada: a corte de Luís XV, entre o rei e Madame de Pompadour.

Partilhar

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.