Ditos

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Poema

De Babel sobre os rios nos sentámos

Luís Vaz de Camões · (De Babel sôbre os rios nos sentámos), p. 193

De Babel sobre os rios nos sentámos, De nossa doce patria desterrados, As mãos na face, os olhos derribados, Com saudades de ti, Sião, chorámos. Os orgãos nos salgueiros pendurámos, Em outro tempo bem de nós tocados; Outro era ele, por certo, outros cuidados; Mas por deixar saudades os deixâmos. Aqueles que cativos nos trazião Por cantigas alegres perguntavão: Cantai (nos dizem) hymnos de Sião. Sobre tal pena, pena tal nos dão, Pois tyranicamente pretendião Que cantassem aqueles que choravão.

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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